terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Paulo: servo, chamado e separado.

"Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus". Romanos 1:1.

Quantas vezes nós missionários queremos fazer tudo segundo nossa própria vontade, sem lembrar de que viemos para o campo missionário para fazer a vontade do Senhor. O apóstolo Paulo, ao escrever sua carta aos Romanos, já inicia a epístola numa frase de três pontos (pra quem gosta de uma boa homilética). Nestes três pontos de Paulo ele se apresenta como alguém que não tem como objetivo satisfazer suas próprias vontades. Vamos observar melhor:

"Paulo, servo de Jesus Cristo..."

Quando falamos sobre servo, muitas idéias podem vir à nossa mente. Podemos pensar em um mordomo, em um empregado doméstico, em alguém que é remunerado por seu trabalho e que é livre para escolher continuar ou não naquele serviço de servo. Mas qual é a idéia de servo que Paulo nos quis trazer neste versículo? Qual era a maneira que a sociedade entendia por um servo naquele contexto do Império Romano quando o texto foi escrito?

Não sou nenhum doutor quando se fala sobre a língua grega. Mas, se a gente estuda um pouquinho, a gente aprende que Paulo usou o termo "doulos" em grego, que foi traduzido para "servo" em nossa língua portuguesa. O mais interessante é que também pode ser traduzido como "escravo", que realmente traz um sentido diferente.

No Império Romano havia aproximadamente 6 milhões de escravos. Eles sabiam bem o que é que o apóstolo Paulo queria dizer quando denominou-se "escravo de Jesus Cristo". Quando você é um servo você tem um patrão, mas, quando você é um escravo você tem um dono. Consegue ver a diferença? Você provavelmente é ou já foi empregado de alguém um dia, seja em uma empresa ou em qualquer outro tipo de trabalho. Você sabe o que é ter um patrão. Por mais chato que seu patrão seja, ele não é seu dono. O dia que você decidir sair daquele emprego você é livre. Porém um escravo não é livre de seu dono, e tudo o que o escravo faz é em função de satisfazer a vontade de seu dono. O escravo tem que abrir mão de sua vontade própria.

Não gosto muito da Nova Tradução na Linguagem de Hoje da Bíblia (NTLH), mas o versículo 22 do capítulo 6 de Romanos traz uma tradução muito profunda: "Mas agora vocês foram libertados do pecado e são escravos de Deus. Com isso vocês ganham uma vida completamente dedicada a ele, e o resultado é que vocês terão a vida eterna". É claro que o contexto de escravidão que conhecemos na história da humanidade nos traz uma sensação negativa com relação a isso, mas vamos tentar focalizar em seu aspecto positivo quando se fala em ser escravo de Deus. Quem é que não quer ser escravo de Deus? Resposta: aquele que quer ser livre para satisfazer as vontades de seu ego que vão contra Deus! Se isso é liberdade, então quero ser escravo de Deus. O escravo de Deus procura ter uma vida completamente dedicada a Ele, renunciando às vontades de sua carne, e renunciando até mesmo aquilo que não vai contra Deus mas que precisa ser deixado de lado para cumprir a vontade do Senhor. Por exemplo: muitos missionários gostariam de estar ao lado de seus familiares, e não há nada de errado nisso, mas o Senhor os chamou para levar as boas novas em lugares distantes, e em obediência ao Senhor eles vão.

Veja o que Paulo nos diz em Galatas 2:20 - "Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim". A sua vida já não era mais sua, porém de Cristo. Cristo não era seu patrão, mas seu Dono. Da mesma maneira hoje, nossa vida também não é mais nossa. Por causa de Ele ser nosso dono, não temos que nos focar em nossa própria vontade. Devemos ansiar para que a vontade dEle se cumpra em nossas vidas. Nossa vontade deve ser a de satisfazer a vontade do Senhor.

"Paulo... chamado para ser apóstolo...".

Paulo não se voluntariou para servir a Deus, mas foi chamado. Na verdade, quando nos lembramos de sua conversão em Atos dos Apóstolos, vimos que ele foi chamado diretamente por Cristo enquanto ainda era um perseguidor do Evangelho. Ele não foi à frente de uma igreja e, como o profeta Isaías, disse: "eis-me aqui. Envia-me a mim". Não! Paulo aqui não teve escolha. Cristo o derrubou do cavalo e o comissionou ali mesmo.
Algumas pessoas olham para nosso trabalho como se fosse um trabalho voluntário. Mas será que isso é verdade mesmo? Será que não fomos também chamados por Jesus quando disse: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura" (Mc. 16:15)? Será que Cristo nos deu opção neste chamado? Cristo não disse: se você "sentir" no seu interior que deve ser um missionário então ide por todo o mundo, mas se você não "sente" em seu coração pode continuar na sua vida rotineira. Se você prefere dizer que seu trabalho é voluntário, não vou discutir consigo, pois teu trabalho glorifica a Deus da mesma maneira. Mas prefiro pensar que sou escravo de meu Senhor, tentando obedecê-lO em tudo o que Ele me pede pra fazer.

"Paulo... separado para o evangelho de Deus".

Você se lembra que Paulo era um fariseu antes de sua conversão? O mais interessante nisso é que a palavra fariseu significa separado.
O fariseu se separava das outras pessoas, pois pensava que era santo e que os outros eram pecadores. Eram homens tão zelosos pela obediência à Lei de Deus que inventavam leis para colocarem sobre as Leis de Deus, pensando que essas leis humanas lhes impediriam de desobedecer às Leis de Deus. Confuso né? Pois é, assim como todo tipo de legalismo é confuso.
Paulo, enquanto fariseu, estava separado DE Deus. Ele lutava a favor da Lei e contra o Evangelho. Mas agora como Apóstolo ele estava separado PARA o Evangelho de Deus. Ele agora era santo, assim como todos nós somos santos em Cristo, separados deste mundo. E a nossa causa é o Evangelho de Deus, nada mais. Nossa causa não é o dinheiro. Nossa causa não é a fama e nem o prestígio. Nossa causa não é receber um troféu promessas neste mundo, porém no vindouro, que realmente foi prometido e muito mais. Nossa causa não é nem mesmo o sermos chamados de super heróis missionários, pois o foco não deve estar em nós, mas nEle.

Em Romanos 11:36 está escrito: "Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém!"
Tudo é dEle, Ele é o Dono Supremo. Tudo é por Ele, pois sem Ele nada existiria. Por isso tudo é para Ele, até mesmo nossas vidas, nossos anseios e esforços. Que isso faça parte do nosso DNA como crentes, vivamos para a glória de Deus e Sua soberana vontade.

Rafael Mapa